Papiloscopia

Indice

 Inicial

 História da Identificação

 Estudo da Pele

 Sistema de Vucetich

 Subtipos

 Tipos Especiais

 Pontos Identificadores

 Sistema Informatizado (AFIS)

 Videos sobre Papiloscopia

 Laudos Papiloscópicos

 Fatos e Fotos

 Impressões Digitais em Cartuchos Deflagrados

 Decisões Judiciárias com a Papiloscopia

 Identificação Papiloscópica Uma Abordagem Científica

 Noticias sobre Papiloscopia


Tipos especiais

Presilha interna dupla (fig. 42): apresenta um delta a direita do observador, com dois núcleos dominados pelo mesmo delta, e o núcleo superior geralmente assume a configuração de uma presilha interna ganchosa.

Presilha externa dupla: reflexo da interna dupla.

Figura 42: Presilha Interna Dupla.

Presilha interna ganchosa (fig. 43): apresenta um delta a direita do observador e o núcleo forma uma curvatura acentuada, voltada para o lado do delta, ou seja as linhas nucleares processam uma espécie de invasão pela parte inferior do núcleo.

Figura 43: Presilha Interna Ganchosa.

Presilha externa ganchosa: reflexo da interna ganchosa.

Figura 44: Verticilo Ganchoso.

Verticilo ganchoso (fig. 44): apresenta dois deltas, a direita e a esquerda do observador e as linhas nas proximidades do centro do núcleo, formam uma entrada, dando ao centro deste núcleo a configuração de um grão de feijão. Outras vezes, encontra-se um delta ou pseudo delta onde ocorre a entrada das linhas nucleares nas imediações do centro do núcleo.

Anomalias

Desenhos Anômalos (fig. 45): tipos que não podem ser determinado devido a deformidade de seu desenho e sua freqüência é muito rara não sendo necessário seu desdobramento classificados para efeito de arquivamento como 6º tipo.

Figura 45: Desenhos Anômalos.

Anomalias congênitas: são classificadas como 7º tipo sendo divididas em:

1º Polidactilia: caracteriza-se pela incidência de mais de 5 dedos na mão.

2º Ectrodactilia: caracteriza-se pela falta congênita de um ou mais dedos na mão.

3º Sindactilia: caracteriza-se pela união de dois ou mais dedos na mão.

Cicatriz: símbolo X, classifica-se como 8º tipo quando não for possível determinar o tipo fundamental da impressão devido a deformidade causada.

Amputação: símbolo 0, classifica-se como zero ou 10º tipo na classificação, caracterizada pela falta da falange distal, salvo nos casos de anomalias congênitas.

Contagem de linhas

Caso os subtipos das impressões de uma ficha não forneçam sub-classificações suficientes para distinção das fichas, poder-se-á usar a contagem de linhas como uma sub-subcalssificação, feita como já vimos no capítulo 3.8 Deltas ....contagem das linhas, onde uma linha imaginária (linha de Galton) é apoiada no primeiro ponto característico logo a frente do delta, caso não o tenha será apoiada no próprio delta, e estendida até o ápice da laçada mais central no núcleo, contando-se as linhas por ela cortada (fig. 46).

No caso dos verticilos, a linha de Galton será apoiada no Delta a esquerda do observador, e no ápice mais próximo deste delta, da laçada mais central.

Figura 46: Exemplo da colocação da "Linha de Galton" em uma presilha interna, para contagem de linhas, apoiada no delta até o ápice da laçada mais central.

Após a contagem, o número de linhas deve ser aposto no terceiro campo localizado acima de cada um dos campos de cada dedo da ficha dactiloscópica, sendo que para os polegares deve-se colocar o número exato de linhas e para os demais dedos apenas a letra correspondentes ao número de linhas contadas : 1 a 5 letra A, de 6 à 10 letra B, de 11 à 15 letra C, de 16 à 20 letra D de 21 à 25 letra E e de 26 em diante letra F.

Este tipo de classificação da contagem de linhas é o adotado pelo Instituto de Identificação de São Paulo, podendo no entanto, ser encontrada de forma diferente nos outros Estados da Federação.

Albotadiloscopia

É um termo criado por Luiz Reyna Almandos, palavra híbrida, composta de:

ALBUS - ALVO, BRANCO

DAKTYLOS - DEDOS

SKOPEIN - EXAMINAR.

O estudo publicado por Reyna Almandos, na Revista de Identificação Y Ciências Penales, descreve as linhas brancas como sendo falhas do sistema de linhas papilares.

Elas formam traços alheios ao sistema de linhas papilares que aparecem nas impressões com relativa freqüência (fig. 47).

Elas tem origem em rugosidades existentes nos tecidos da ponta dos dedos, na palma das mãos e na planta dos pés. É bem diferente do sulco provocado por cicatriz de corte; esse apresenta uma reentrância ou um vertente na crista papilar motivada pela ação cortante.

Essas linhas brancas não são perenes e nem imutáveis. Aparecem em um ou mais dedos, muitas vezes, em todos os dedos no formato de retas, levemente curvas, quebradas, mistas, ligeiramente sinuosas; mas distantes umas das outras. Longas, curtas, medianas, largas, estreitas. Em relação à prega interfalangeana são transversais, verticais e oblíquas e em vários sentidos.

Figura 47: Impressão digital com as linhas albodactiloscópicas. Fonte: (DelPol ).

Não está bem definida a origem das linhas brancas. Alguns autores atribuem como um sinal de senilidade; há aqueles que acreditam na interferência da temperatura úmida ambiental e o seu relacionamento com determinadas profissões no manuseio constante de produtos químicos.

Sob o ponto de vista técnico papiloscópico é bastante relativa a presença de linhas brancas no papilograma; não podemos lhes atribuir um valor absoluto; eis que lhe faltam dois elementos essenciais da crista papilar que são perenidade e a imutabilidade. Sem esses atributos, não se pode confiar na sua imagem. Entretanto, pelo seu formato, pela sua dimensão e espessura, pela sua posição no papilograma, podemos atribuir um valor puramente indicativo, meramente subsidiário e relativo, condicionando a outros elementos imutáveis e congênitos de uma peça e outra quando do assinalamento e confronto dos pontos característicos, pois, as linhas brancas, não são generalidades das pessoas e nem de todos os dedos do mesmo indivíduo.

Também verificou-se que as linhas brancas aparecem em crianças, jovens, adultos e velhos e é comum nos portadores de doenças alérgicas, radiodermite, hanseníase bem como nas mãos de lavadeiras, professoras, feirantes de legumes, pedreiro, copeiro ou em conseqüência das doenças renais. Porém, essas linhas não coçam, não infeccionam, não doem e aparecem como um sulco largo e isolado, formam imagens quadriculadas, cruzadas ou reticuladas combinadas entre si, constituindo uma figura estranha e superposta ao desenho existente. As linhas brancas não se originam da solução de continuidade das saliências papilares e algumas desaparecem com os anos, sem deixar nenhum vestígio, e em outras a persistência é duradoura.

As linhas brancas são de valor indicativo no conjunto de sinais. É mais um dado, mais um fator que distingue e diferencia as cristas. Esse valor é meramente subsidiário e relativo, é mais um reforço visual. É certo que essas linhas brancas surgem, aumentam, diminuem, modificam-se e desaparecem em qualquer tempo. Sua presença no papilograma é prejudicial ao desenho papilar. Na maioria das vezes, não oferece condições de classificação, tornando-se um empecilho na subclassificação. As linhas brancas não servem como elemento condutor da pesquisa visual papiloscópica e não podemos considerá-las como ponto de realce. São altamente prejudiciais pela interferência de seus traços sobre os desenhos, dificultando a leitura e a classificação dos mesmos. identificação definitiva.

Ao observar as linhas papilares, vê-se que existem elementos anatômicos que se sobressaem nas cristas papilares. Esses acidentes anatômicos são chamados de Pontos Característicos e diferenciam, individualizando cada dedo do ser humano.

Francis Galton os denominou de "minutae", e Juan Vucetich os chamou de Pontos Característicos, definindo-os como sinais individualizadores que se apresentam nas linhas papilares e que podem ser encontrados nas pontas dos dedos, nas palmas das mãos e na planta dos pés, sendo imutáveis em tipo, localização e número, no decorrer do tempo (fig. 48).

Os Pontos Característicos são a base sólida da identidade do datilograma, quando encontrados em campo papilar com o mínimo de doze pontos característicos, ou três raros e agrupados de idêntica forma e localização, sem que haja entre eles outro ponto discrepante.

É aceito mundialmente o critério de assinalamento dos pontos característicos porque distingue um datilograma de outro de forma absoluta. Entretanto, para se saber a quem pertence , é preciso que uma delas esteja identificada com uma letra, código, ou a própria qualificação do indivíduo resultando, por exemplo impressão A = impressão B.

Figura 48: Impressões digitais de um mesmo dedo, com 25 anos de intervalo entre as coletas, apresentando seus pontos característicos na mesma ordem e posições, indicados por setas e numerados para identifica-los.

Alguns pontos característicos ocorrem com maior freqüência e outros são mais raros. No Brasil para estabelecer a identidade, é necessário a marcação de no mínimo 12 pontos idênticos e coincidentes no confronto de dois datilogramas. Este número de pontos foi sugerido por Alphonse Bertillon. Para Edmond Locard, três pontos raros e agrupados, têm mais valor que 15 ou 20 extremidades de linhas que são mais freqüentes.

impressões em locais de crime

As impressões em locais de crimes podem ser encontradas de três formas básicas:

Moldadas: quando as impressões são encontradas em materiais que permitem a modelagem em baixo relevo (massa de fixar vidro por exemplo), tendo o perito que fotografá-la aplicando à mesma uma luz oblíqua para produzir sombra nos sulcos do molde, revelando assim o desenho formado pelas cristas papilares e ou poderá moldar tal impressão com material apropriado como silicone ou gesso, por exemplo.

Visíveis ou entintadas : quando as impressões são deixadas visíveis no local por ter o agente manuseado substâncias como tinta, sangue, graxa, sujeira etc. sendo fácil sua localização tendo no entanto o perito que fotografá-las para o estudo que se fizer necessário.

Latentes: São as impressões mais comuns por serem produzidas por substâncias segregadas pelo próprio corpo do agente como suor e gorduras.

A reprodução do desenho papilar no local de crime por meio da impressão latente, nem sempre é perfeita. Muitas vezes são fragmentos papilares deixados ocasionalmente sobre qualquer suporte pelo toque dos dedos, mãos e pés descalços que provam a presença da pessoa no local. Ela é produzida por gotas de suor e ou gordura, que são expelidas pelos poros sendo facilmente localizada por foco de luz oblíqua projetado sobre ela.

Sabe-se que uma impressão latente, estando resguardada de sujeira, sol, chuva e qualquer outra coisa que possa danificá-la, poderá permanecer por longo tempo fixada no suporte e o seu aproveitamento poderá ser feito através de reações químicas sobre a mancha, fazendo aparecer a imagem oculta. Por isso, é necessário preservar o local de crime, para se resgatar as impressões papilares que por muitas vezes podem identificar o autor.

Agentes reveladores

Para revelar impressões latentes, é necessário o emprego de agentes químicos e técnicas especiais para manuseá-los.

Negro de Fumo : é um termo genérico usado para identificar uma ampla variedade de materiais carbonáceos finamente divididos. É um dos materiais mais utilizados na revelação de impressões latentes encontradas em suportes de fundo claro, sendo aplicado por pulverização ou por meio de um pincel. Suas micro partículas aderem na mancha deixada pelas cristas papilares banhadas de suor e ou óleo revelando o desenho das papilas dérmicas.

Carbonato de chumbo: é um pó branco extremamente fino. É um dos materiais mais utilizados na revelação de impressões latentes encontradas em suportes de fundo escuro e transparentes, sendo aplicado por pulverização ou por meio de um pincel. Suas micro partículas aderem na mancha deixada pelas cristas papilares banhadas de suor e ou óleo revelando o desenho das papilas dérmicas.

Nitrato de prata : material altamente corrosivo. Causa queimaduras a qualquer área de contato. Pode ser fatal se engolido. Danoso se for inalado. É utilizado na revelação de impressões latentes deixadas em papel. Em contato com o cloreto de sódio (suor), produz cloreto de prata e nitrato de sódio, sendo que o cloreto de prata é indissolúvel permitindo assim que após a lavagem do papel, todo o material seja removido, exceto o desenho deixado pela mancha de suor, sendo este revelado com a exposição à luz, revelando assim o desenho deixado pelas cristas papilares.

Vapor de iodo: material altamente corrosivo. Causa queimaduras a qualquer área de contato. Pode ser fatal se engolido. Danoso se for inalado. É utilizado na revelação de impressões latentes deixadas em papel. O vapor de iodo reage com os ácidos graxos deixados no contato das cristas papilares com o papel revelando assim o desenho papilar.

Vapor de super-cola : um dos mais recentes métodos de detecção de impressões digitais é o vapor de cola (ou vapor de cianocrilato – Super Bonder). O material é exposta ao vapor de cianocrilato por alguns minutos. A digital aparece em leves contornos brancos visíveis a olho nu.

O grafite, o talco, a poeira e outros tantos pós extremamente finos, mais uma série de substâncias, podem ser utilizados para revelar impressões latentes, dependendo porém, da capacidade e conhecimento do perito na arte.

Arquivo monodactilar

Uma vez encontrada a impressão no local do crime, resta ao perito a tarefa de confrontá-la com a de um suspeito. E se não houver um suspeito?

Como já foi visto, encontrar uma ficha com dez impressões em um arquivo decadactilar é relativamente fácil, no entanto, procurar uma única impressão sem muitas vezes sequer saber a qual dedo ela pertence, é algo que pode ser considerado como impossível em se tratando de um grande arquivo decadactilar.

Diante da real necessidade de se encontrar uma única impressão digital em um arquivo sem a necessidade de um suspeito, surgiu o arquivo monodactilar. Este tipo de arquivo é embasado em uma maior quantidade de sub-classificações para uma impressão digital, permitindo assim a exclusão de um número maior de impressões digitais na procura da impressão em uma ficha padrão (fig. 49).

A classificação e sub-classificação neste tipo de arquivo, dá-se de maneira exclusivamente numérica sendo os tipos fundamentais representados por seus respectivos números: 1 arco, 2 presilha interna, 3 presilha externa e 4 verticilo sem que haja a distinção dos polegares para os demais dedos. Após a classificação numérica do tipo, acrescenta-se na seqüência o sub-tipo também de forma numérica, respeitando-se a ordem da subclassificação de cada um, por exemplo:

Subtipos do Arco : Plano = 1, Angular = 2

Exemplo: Arco Plano, é representado pelo número 11 no arquivo monodactilar.

Subtipos da Presilha Interna e Externa: Normal = 1, invadida = 2

Exemplo: Presilha Interna Invadida, é representada pelo número 22 no arquivo monodactilar.

Subtipos do Verticilo: Circular =1, Espiral =2, Ovoidal =3, Sinuoso =4 e Duvidoso =5.

Exemplo: Verticilo Ovoidal, é representado pelo número 43 no arquivo monodactilar.

No tipo Arco existe uma única subdivisão, porém nas presilhas e no Verticilo, temos a contagem de linhas que no caso do arquivo monodactilar é colocado o número exato de linhas para cada dedo. Por exemplo:

Presilha Externa invadida, contendo 23 linhas entre o delta e a laçada mais central, será representada pelo número 32-23.

Figura 49: Modelo da ficha utilizada no arquivo monodactilar de São Paulo.

No caso do verticilo, a divisão torna-se ainda mais complexa. Além da contagem normal procedida no delta da esquerda, temos para este tipo de arquivamento a contagem de linhas feitas à partir do delta da direita. Por exemplo, um verticilo sinuoso com 10 linhas no lado esquerdo e 14 linhas do lado direito, seria representado no arquivo pelo número 441014.

Esse capítulo foi apresentado para dar uma idéia da existência desse tipo de arquivo que por vários anos (São Paulo, 1935 - Dr. Ricardo Gunbleton Daunt), foi de grande valia na identificação dos autores de delitos, através de impressões latentes encontradas nos locais de crimes, tendo sido abandonado com o advento do sistema informatizado de identificação.