Papiloscopia

Indice

 Inicial

 História da Identificação

 Estudo da Pele

 Sistema de Vucetich

 Subtipos

 Tipos Especiais

 Pontos Identificadores

 Sistema Informatizado (AFIS)

 Videos sobre Papiloscopia

 Laudos Papiloscópicos

 Fatos e Fotos

 Impressões Digitais em Cartuchos Deflagrados

 Decisões Judiciárias com a Papiloscopia

 Identificação Papiloscópica Uma Abordagem Científica

 Noticias sobre Papiloscopia

 

FORUM


ESTUDO DA PELE

A pele (fig. 13) é o maior órgão de nosso corpo. Sua espessura varia de 0,5 a 6 mm e funciona como uma capa que protege os órgãos internos.

É composta por:

Epiderme: camada visível formada por células mortas ou prestes a morrer.

Derme: fica logo abaixo da epiderme e contém a raiz dos pêlos, terminações nervosas e vasos sangüíneos, além do colágeno, que dá elasticidade à pele.

 

Figura 13: Desenho representando a pele humana e suas divisões.

Fonte: <http://orbita.starmedia.com/~vitiello1/pele.html>,16/08/01.

Hipoderme: onde ficam as gorduras, as veias e os músculos.

O local em que a derme e a epiderme se encontram é irregular pois elas se interpenetram formando ondulações denominadas papilas dérmicas. Onde a pele é mais espessa, como a palma das mãos e a sola dos pés, elas se tornam visíveis e possuem configurações distintas, peculiar a cada indivíduo.

 

Figura 14: Desenho representando as cristas e sulcos das papilas.

Fonte: <http://orbita.starmedia.com/~vitiello1/pele.html>,16/08/01.

As papilas dérmicas são formadas por cristas papilares e sulcos interpapilares (fig. 14), e se formam entre seis e oito semanas antes do nascimento do indivíduo permanecendo imutáveis - ao olhos do perito papiloscópico - por toda a vida, até a putrefação.

As cristas papilares estão separadas umas das outras pelos sulcos interpapilares, numa distância de dois a sete décimos de milímetro.

Papilogramas

Às impressões formadas pelas papilas dérmicas dá-se o nome de papilogramas, onde as linhas negras são formadas pelas cristas papilares e os espaços em branco formados pelos sulcos interpapilares.

Figura 15: Papilograma com seus pontos característicos em destaque.

Fonte: (DelPol).

Em uma impressão papilar há particularidades anatômicas de caráter congênito que variam na sua apresentação, formato, dimensão, localização e direção. Esses caracteres são chamados pontos característicos (fig. 15), que diferenciam e individualizam cada impressão. São a base sólida na afirmativa da identidade entre dois papilogramas.

Todos esses detalhes anatômicos, as marcas e cicatrizes são sinais imutáveis presentes nas cristas papilares e permitem ao perito que analisa os papilogramas, afirmar com precisão absoluta a identidade de um ser humano.

papiloscopia

No começo do século XX, Alphonse Bertillon (pai da ciência forense) afirmou e demonstrou que não só as impressões digitais, mas também as impressões palmares (palma da mão) e plantares (sola do pé), são elementos de identificação incontestáveis e que mesmo uma pequena parte destas impressões é suficiente para determinar a identidade do indivíduo, basta que ela apresente certo número de particularidades coincidentes.

O estudo dos poros

Em 1912, Edmond Locard observou que da mesma forma que os detalhes de Galton, os poros são permanentes, imutáveis e individuais, podendo estabelecer a identidade do indivíduo quando a impressão papilar não fornecer características suficientes para a identificação.

Ao estudo das papilas dérmicas é dado o nome de Papiloscopia (Papilas + Skopën = examinar ): ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas.

Ramos da papiloscopia

A Papiloscopia é dividida em quatro partes:

Quiroscopia: processo de identificação por meio das impressões palmares;

Podoscopia: processo de identificação por meio das impressões plantares;

Poroscopia: processo de identificação por meio dos poros das papilas dérmicas; e

Datiloscopia: processo de identificação humana por meio das impressões digitais.

Requisitos exigidos para uma ferramenta de identificação

Toda ferramenta de identificação possui alguns requisitos fundamentais, qual sejam:

Unicidade: todos os indivíduos de todas as raças possuem impressões papilares;

Perenidade: surgem no 6º mês de vida fetal e só desaparecerem com a putrefação da pele;

Imutabilidade: o desenho não se altera durante a existência do indivíduo;

Variabilidade: o desenho papilar varia de pessoa para pessoa.

Quiroscopia

Quiroscopia (quiros =mão + Skopën =examinar): ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas palmares (impressões palmares).

O desenho quiroscópico é formado por cristas papilares e sulcos interpapilares, apresentando deltas, pontos característicos e poros, possuindo os requisitos unicidade, perenidade, imutabilidade e variabilidade.

Figura 16: Mão humana e suas regiões.

Fonte: (DelPol).

Podemos classificar a palma da mão em três regiões (fig. 16):

Tenar : É a região situada na base do dedo polegar.

Hipotenar: É a região que se encontra do lado externo da palma da mão, ou seja, do prolongamento do dedo mínimo, ocupando uma posição oposta à região tenar.

Superior ou Infra-Digital : É a região situada imediatamente abaixo dos dedos indicadores, médio, anular e mínimo.

Podoscopia

Podoscopia (podo =pé + Skopën =examinar): ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas plantares (impressões plantares).

O desenho podoscópico é formado por cristas e sulcos interpapilares, apresentando deltas, pontos característicos e poros, possuindo os requisitos unicidade, perenidade, imutabilidade e variabilidade.

A podoscopia é utilizada com maior freqüência pelas maternidades, na identificação dos recém-nascidos, e ainda no confronto de impressões podoscópicas encontradas em locais de crime.

Figura 17: Pé humano e suas regiões.

Fonte: (DelPol).

Com a finalidade de identificação a coleta de impressões plantares, podemos dividir a planta dos pés em cinco regiões, a saber (fig. 17):

1- região do grande artelho (dedão);

2- região do segundo ao quinto artelho;

3- região fibular (fíbula), lado externo do pé;

4- região tibial, lado interno (arco do pé);

5- região do calcanhar.

 

Poroscopia

Poroscopia (poro + Skopën =examinar): ciência que trata da identificação humana através dos poros encontrados nas cristas papilares.

Em papiloscopia, os desenhos formados pelos poros nos papilogramas (fig.18), servem como meio complementar e seguro para estabelecer a identidade, quando o número de pontos característicos encontrados em uma impressão ou fragmento de impressão papilar for insuficiente, pois também possuem as mesmas propriedades que as papilas dérmicas – perenidade, imutabilidade e variabilidade.

Na poroscopia, estuda-se:

O número – varia segundo a distância de um para outro orifício (poro), de 9 a 18 por mm2.

Posição – localiza-se na parte central e periférica das cristas papilares.

Dimensões – variam em regra de 80 a 250 micromilímetros.

Figura 18: Foto de impressões ampliada, permitindo observar os desenhos dos poros.

Fonte:<http://orbita.starmedia.com/~vitiello1/pele.htmlwww.scafo.org >, 2001.

 

Forma – os poros apresentam as seguintes configurações: circular, oval, estrelário e triangular.

O exame de confronto consiste na tomada das mensurações com a ajuda de um compasso, a fim de obter-se todas as medidas necessárias além do levantamento da forma e localização do poro nas peças negativas das fotografias ampliadas 45 vezes. As cristas aumentam 10 a 15 mm de largura e os orifícios sudoríparos surgem nítidos, discerníveis nas suas minudências, no diâmetro de seis a oito milímetros.

Dactiloscopia

Dactiloscopia : ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas digitais (impressões digitais).

Um ser humano normal possui cinco dedos em cada mão, dispostos em fileira, na ordem convencional de polegar, indicador, médio, anular e mínimo, formados pelos ossos da falange, falanginha, falangeta,(fig. 19) a contar da base onde se articulam com os ossos metacarpianos correspondentes, que os sustentam e dão articulação. O polegar possui apenas falange e falangeta e se destaca dos demais por ser o mais grosso e curto da mão.

Figura 19: Impressão de um dedo indicador apresentando sua divisões.

Fonte: (DelPol).

 

Os dedos apresentam duas faces; palmar e dorsal além dos bordos externo, interno e distal.

A dactiloscopia estuda as papilas localizadas na falangeta ou falange distal, as quais formam desenhos distintos que permite sua classificação e arquivamento.

Vantagens da dactiloscopia sobre os demais ramos da papiloscopia

A dactiloscopia, além dos requisitos fundamentais da identificação humana - perenidade, imutabilidade e variabilidade - possui também:

Classificabilidade: permite que os desenhos digitais sejam facilmente classificados para o arquivamento.

Praticidade: a obtenção das impressões digitais é simples, rápida e de baixo custo.

Elementos da impressão digital

Figura 20: Desenhos de uma mesma impressão e seus elementos principais.

Fonte: (DelPol).

A impressão digital é dividida em três regiões ou grupos de linhas (fig. 20):

Região basal ou linhas basilares: Localiza-se entre a prega interfalangeana e o ramo inferior das linhas diretrizes, e suas linhas seguem de um lado ao outro do dedo mais ou menos paralelas.

Região do núcleo ou linhas nucleares: localiza-se entre os ramos inferior e superior das linhas diretrizes e a performance de suas linhas, juntamente com a posição em que se encontra o delta, determina o tipo e o sub-tipo da impressão digital.

Região marginal ou linhas marginais: localiza-se acima do ramo superior das linhas diretrizes até a base da unha e suas linhas segue de um lado ao outro do dedo mais ou menos paralelas tomando uma forma abalada.

Delta é a figura em forma de triângulo ou trirrádio (fig. 21), formada no encontro das três regiões, marginal, nuclear e basal, e o prolongamento imaginário de seus "braços" forma as linhas diretrizes que define a divisão de cada uma das regiões ou grupo de linhas. Ele localiza-se no quadrante inferior da impressão digital e pode aparecer de várias formas diferentes. Sua principal função no sistema de Vucetich é definir o tipo fundamental da impressão digital dando também referência para contagem das linhas, onde uma linha imaginária (linha de Galton) é apoiada no primeiro ponto característico logo a frente do delta, caso não o tenha será apoiada no próprio delta e estendida até o ápice da laçada mais central no núcleo, contando-se as linhas por ela cortada.

Figura 21: Desenho que mostra algumas formas de Delta ou Trirrádios.

Fonte: (DelPol).